Ibovespa depende de disciplina fiscal e de estrangeiros

Atualizado em 02/02/2026

Resumo

  • Estrangeiros impulsionaram o avanço do Ibovespa em 2025
  • Volatilidade eleitoral, juros reais elevados e risco fiscal podem limitar novos ganhos
  • A volatilidade tende a aumentar na segunda metade do ano com o “trade eleitoral”
  • Projeções da XP para a Bolsa variam de 144 mil a 235 mil pontos
  • No panorama global, a realocação para mercados mais competitivos e o avanço da IA orientam oportunidades

O movimento de saída parcial de recursos dos EUA e a busca por mercados com juros mais competitivos abriram espaço para a bolsa brasileira deslanchar em 2025. A renda variável — patinho feio em 2024 — surpreendeu e ultrapassou todas as demais classes de ativos.

O grande motor por trás desse desempenho foi o fluxo estrangeiro. Em seu pico, o ingresso líquido superou R$ 30 bilhões. Ficou bem claro que nos preços do mercado acionário, a influência dos fatores internacionais é incontestável. Câmbio e bolsas globais — mais do que variáveis domésticas — direcionaram o humor dos investidores por aqui no ano que passou.

Porém, em 2026 a continuidade desse ciclo positivo depende da forma como o país lidará com sua política fiscal. O investidor quer respostas claras: vamos manter gastos descontrolados e risco de inflação futura — ou caminhar para previsibilidade, controle e eficiência?

Enquanto essa dúvida persistir, o prêmio de risco da renda variável em relação à renda fixa segue baixo. A bolsa precificou parte do otimismo este ano, mas os juros reais — impulsionados pela incerteza fiscal — continuam altos, reduzindo a atratividade relativa da bolsa, principalmente para os investidores locais.

Mas isso não significa que o investidor deve ir com tudo na renda fixa. “A gente tem que acabar de uma vez por todas com essa ideia de que quando a renda fixa está no seu estado máximo, a renda variável morre. E quando a renda variável começa a acelerar, você esquece a renda fixa. Elas devem andar em conjunto. A gente deve sempre pensar num todo”, avalia Raphael Figueredo, estrategista de Renda Variável da XP.

Projeções para o Ibovespa

A segunda metade do ano será dominada pelo “trade eleitoral”, que historicamente amplia a volatilidade. Isso acontece porque muitos investidores devem ajustar suas posições (compra ou venda de ativos) antecipando como diferentes candidatos, cenários ou políticas econômicas podem afetar juros, inflação, câmbio, setores específicos da Bolsa ou ativos de renda fixa.

Para o Ibovespa, o time de Research trabalha com três cenários. O cenário base projeta o índice em 190 mil pontos se os juros reais (Selic – inflação) ficarem em de 7,1%. Numa condição pessimista, com juro real a 8,5%, ficaria nos 144 mil pontos. Na hipótese mais otimista, com juros reais a 5,5%, a bolsa chegaria a 235 mil pontos. “O divisor entre um ano bom e um excelente será a sinalização de disciplina fiscal”, diz Figueredo.

Olhar global

O “Liberation Day” desencadeou uma realocação global. O S&P 500 cedeu espaço para mercados mais competitivos e a distância entre as ações americanas e as do resto do mundo começou a diminuir.

O avanço da inteligência artificial segue sustentando lucros nas megacaps americanas. Segundo os analistas da XP, não há sinais de bolha, mas sim atenção a riscos de endividamento excessivo em algumas empresas. Com isso, a posição global hoje é de neutralidade nos EUA, com maior foco em emergentes e setores ligados a esse novo ciclo de produtividade.

Atenção especial, também, ao Japão: uma virada histórica na política monetária elevou os juros para níveis não vistos há 17 anos — e os efeitos podem reverberar globalmente.

As carteiras globais da XP têm buscado esse equilíbrio: bancos europeus, tecnologia na Ásia, oportunidades na América Latina. E a rotação internacional seguirá como peça-chave para 2026.

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