Muita gente pensa que investir é complicado. Mas, frequentemente, a dificuldade está em entender o vocabulário dos profissionais do mercado financeiro. Abaixo, traduzimos os principais termos usados no mundo dos investimentos para que você possa ter mais segurança na hora de decidir onde aplicar seu dinheiro.
Significa usar recursos de terceiros (geralmente dinheiro emprestado) para multiplicar a capacidade de investimento ou de operação de uma empresa, buscando potencializar os resultados.
O termo vem literalmente de “alavanca”, a ferramenta que permite mover um objeto pesado fazendo um esforço muito menor. No mundo financeiro, o “peso” é o retorno que você quer alcançar, e o ponto de apoio é o capital emprestado.
A alavancagem pode ser dividida principalmente em três frentes:
É o uso de dívida ou capital de terceiros para aumentar o rendimento potencial de um fundo ou de uma empresa.
Como funciona: se você tem R$ 10.000 e compra uma ação que sobe 10%, seu lucro é de R$ 1.000. Mas se você pegar R$ 90.000 emprestados e investir um total de R$ 100.000, essa mesma alta de 10% gera R$ 10.000 de lucro. Descontando os juros do empréstimo, seu retorno real sobre o seu capital próprio (os R$ 10.000 iniciais) foi drasticamente multiplicado.
O risco: a alavancagem é uma faca de dois gumes. Se a ação cair 10%, você perde R$ 10.000, ou seja, todo o seu capital próprio é zerado e você ainda deve o banco.
Ocorre na estrutura de custos de uma empresa. Uma empresa é altamente alavancada operacionalmente quando possui uma proporção alta de custos fixos em relação aos custos variáveis.
Como funciona: pense em uma empresa de software. Ela gasta milhões para desenvolver o produto (custo fixo alto). Porém, vender a primeira ou a milionésima licença custa quase a mesma coisa (custo variável baixo). Quando as vendas crescem, o lucro operacional explode, pois os custos fixos já foram diluídos.
No day trade, mercado de futuros ou Forex, as corretoras permitem que você opere posições que valem muitas vezes mais do que o dinheiro que você tem em conta, exigindo apenas uma margem de garantia.
Se uma corretora oferece alavancagem de 1:20, significa que com R$ 1.000 de garantia você pode movimentar R$ 20.000 em ativos. Pequenas oscilações no preço do ativo geram grandes ganhos ou a perda total da sua margem em minutos.
| Cenário | Sem alavancagem | Com alavancagem (dívida) |
| Capital próprio | R$ 100.000 | R$ 100.000 |
| Capital de terceiros | R$ 0 | R$ 400.000 |
| Capital total investido | R$ 100.000 | R$ 500.000 |
| Se o negócio rende +20% | Lucro de R$ 20.000 (+20% de retorno) | Lucro de R$ 100.000 (Subtraindo juros, o retorno real é muito maior) |
| Se o negócio rende -20% | Prejuízo de R$ 20.000 | Prejuízo de R$ 100.000 (Perda de 100% do capital próprio) |
A alavancagem maximiza a eficiência do capital quando as coisas vão bem, mas acelera a ruína quando as coisas vão mal. É a ferramenta que separa o crescimento exponencial da falência rápida, dependendo puramente da gestão de risco.
CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário. No dia a dia do investidor, porém, quando alguém fala “CDI”, geralmente está se referindo à taxa CDI, uma das principais referências de rendimento da renda fixa no Brasil.
Os bancos precisam encerrar cada dia com suas contas equilibradas perante o sistema financeiro. Alguns bancos terminam o dia com sobra de caixa. Outros terminam com falta de caixa.
Para ajustar isso, eles fazem empréstimos de curtíssimo prazo entre si, normalmente de um dia útil para o outro. Esses empréstimos são registrados por meio dos CDIs. A taxa média dessas operações dá origem à taxa CDI.
A taxa CDI costuma ficar muito próxima da taxa básica de juros da economia, a Selic. Elas quase sempre andam juntas.
Por exemplo:
Se um investimento rende 100% do CDI, ele acompanha aproximadamente a taxa CDI.
Exemplo:
Resultado: cerca de 14% ao ano antes de impostos e taxas.
Se render:
O CDI virou um padrão para comparar investimentos de renda fixa. Muitos investidores usam perguntas como:
Pense no CDI como um “placar de referência” da renda fixa brasileira. Da mesma forma que o Ibovespa é usado para acompanhar o desempenho médio das ações, o CDI é frequentemente usado para avaliar o desempenho de investimentos de renda fixa e fundos conservadores.
É uma antecipação do Imposto de Renda cobrado periodicamente sobre determinados fundos de investimento. O nome vem do fato de que o imposto é pago por meio da redução da quantidade de cotas do investidor, e não por um débito em dinheiro.
Duas vezes por ano, normalmente no último dia útil de maio e de novembro, a administradora do fundo calcula o imposto devido e retira parte das suas cotas para recolher o IR.
Você não precisa fazer nenhum pagamento. Em vez disso:
Imagine que você investiu R$ 100.000 em um fundo e, após algum tempo, o saldo passou para R$ 110.000.
Suponha que o imposto antecipado seja de R$ 1.500.
Em vez de retirar R$ 1.500 da sua conta, o fundo cancela uma quantidade de cotas equivalente a esse valor. Assim, seu patrimônio passa a refletir esse recolhimento antecipado do imposto.
A alíquota do come-cotas depende do tipo de fundo:
| Tipo de fundo | Alíquota do come-cotas |
|---|---|
| Fundos de curto prazo | 20% |
| Fundos de longo prazo | 15% |
Essas alíquotas representam uma antecipação do imposto.
Quando você resgata o investimento, a Receita Federal calcula o IR total devido conforme a tabela aplicável ao fundo.
Se o imposto devido for maior do que o já recolhido via come-cotas, você paga apenas a diferença.
Por exemplo, em um fundo de longo prazo:
Em geral, o mecanismo se aplica a diversos fundos abertos de renda fixa e multimercado.
Já fundos como:
seguem regras tributárias diferentes e, em geral, não estão sujeitos ao come-cotas.
Como o imposto é recolhido antes do resgate, uma parte do patrimônio deixa de permanecer investida. Isso reduz o efeito dos juros compostos ao longo do tempo, especialmente para quem pretende manter o investimento por muitos anos.
Em resumo, o come-cotas é um mecanismo de antecipação do Imposto de Renda em determinados fundos de investimento. Em vez de pagar o imposto apenas no resgate, o investidor tem parte das cotas reduzida semestralmente, e esse valor é usado para recolher o IR antecipadamente.
É a dívida emitida por empresas para captar recursos diretamente com investidores, sem depender apenas de empréstimos bancários. Quando você investe em crédito privado, está emprestando dinheiro para uma empresa em troca de juros.
Imagine que uma empresa precise de R$ 500 milhões para expandir suas operações. Em vez de pegar todo esse dinheiro emprestado de um banco, ela pode emitir títulos de dívida. Investidores compram esses títulos e a empresa se compromete a:
No Brasil, os mais conhecidos são:
Quando você compra um título do Tesouro, está emprestando dinheiro ao governo federal. Quando compra crédito privado, está emprestando dinheiro a uma empresa. Por isso, em geral:
Suponha que existam duas opções:
Os 2 pontos percentuais adicionais existem porque a empresa apresenta mais risco de crédito do que o governo federal. Esse diferencial é chamado de spread de crédito.
Muitos investidores têm contato com crédito privado por meio de:
Nesses casos, um gestor compra dezenas ou centenas de títulos de diferentes empresas, reduzindo o impacto de um eventual problema em um emissor específico. O risco mais importante é o risco de crédito, isto é, a possibilidade de a empresa não conseguir pagar os juros ou devolver o dinheiro conforme prometido.
Por isso, além da rentabilidade, investidores costumam analisar a qualidade financeira do emissor e classificações de risco (ratings) atribuídas por agências especializadas.
É um pagamento periódico de juros feito por alguns títulos de renda fixa ao investidor. Pense nele como uma “parcela” dos rendimentos que é paga antes do vencimento do título.
Suponha que você compre um título de R$ 10.000 que paga juros semestrais. Em vez de receber todo o rendimento apenas no vencimento, você pode receber algo como:
Cada um desses pagamentos periódicos é chamado de cupom.
Historicamente, títulos eram emitidos em papel e tinham pequenos cupons destacáveis. A cada data de pagamento, o investidor destacava um cupom e o entregava para receber os juros.
O nome permaneceu mesmo após a digitalização do mercado.
No Tesouro Direto existem títulos com e sem cupom:
A principal diferença é que títulos sem cupom concentram todo o retorno no vencimento, enquanto títulos com cupom distribuem parte dos rendimentos ao longo do tempo. Isso costuma ser interessante para quem deseja gerar fluxo de caixa periódico, como alguns aposentados ou investidores que vivem de renda.
Mas atenção! Nos títulos com cupom, quando chega o vencimento você não recebe a rentabilidade contratada (os juros reais) de forma acumulada. Toda a rentabilidade dos juros reais contratados (por exemplo, os 6% ao ano) já foi sendo fatiada e paga para você ao longo do caminho, a cada seis meses.
No dia do vencimento, o que você recebe é:
O valor principal investido totalmente corrigido pela inflação (IPCA) do período.
Apenas o último cupom de juros (referente aos últimos 6 meses).
Para ficar bem claro, pense no título como um imóvel que você comprou para alugar:
Ao longo dos anos: Você recebe os “aluguéis” na sua conta corrente a cada seis meses (esses são os cupons de juros). O inquilino está te pagando a rentabilidade do período.
No final do contrato (vencimento): O inquilino desocupa o imóvel e você pega o imóvel de volta. O imóvel agora vale mais porque o preço dele foi atualizado pela inflação do mercado (esse é o seu capital inicial corrigido pelo IPCA). Mas você não recebe todos os aluguéis de novo no final, porque já recebeu mês a mês.
Sim. Quando um título com juros semestrais paga um cupom, o dinheiro cai na sua conta. Você pode:
A questão é que quando os cupons recebidos são reinvestidos e, portanto, continuam rendendo, o patrimônio final pode ficar próximo ao de um título equivalente sem cupom.
Há vantagens e desvantagens.
Vantagens
Geração de renda recorrente: Excelente para quem já está na fase de usufruir do patrimônio (aposentadoria) e precisa de dinheiro na conta para pagar boletos.
Redução do risco de mercado: Como você resgata parte do dinheiro a cada seis meses, fica menos exposto às oscilações violentas da marcação a mercado caso precise sair antes da hora.
Desvantagens
Menos juros sobre juros: Como o dinheiro sai do título e vai para sua conta corrente, ele para de render a taxa contratada. Para o investidor em fase de acumulação de patrimônio, isso atrasa o efeito dos juros compostos.
Ineficiência fiscal: Você paga IR em todos os cupons, seguindo uma tabela regressiva de 22,5% (alíquota máxima) a 15% (mínima). No IPCA+ Principal, o imposto de 15% só é pago uma vez, lá no final.
É preciso considerar também o chamado risco de reinvestimento.
Imagine que você receba cupons durante um período em que os juros da economia caíram bastante. Talvez você tenha comprado o título quando conseguia investir a IPCA + 7%, mas os cupons futuros só consigam ser reinvestidos a IPCA + 4%.
Nesse caso, o retorno total da sua carteira será menor do que se você pudesse reinvestir tudo a IPCA + 7%.
Esse problema não existe no Tesouro IPCA+ sem juros semestrais, porque todo o rendimento fica “preso” dentro do título até o vencimento. Você não recebe dinheiro no meio do caminho e, portanto, não precisa decidir onde reinvesti-lo.
É por isso que muitos investidores de longo prazo preferem o Tesouro IPCA+ sem cupons: ele simplifica o processo e elimina o risco de reinvestimento dos pagamentos intermediários.
Para quem está acumulando patrimônio para um objetivo distante (aposentadoria, por exemplo), costuma fazer mais sentido o IPCA+ sem cupom. Já os títulos com cupom são frequentemente usados por quem quer gerar renda periódica.
São títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos diretamente com investidores. Ao comprar uma debênture, você está emprestando dinheiro à empresa, que se compromete a pagar juros e devolver o valor investido nas condições estabelecidas.
Por exemplo, uma empresa pode emitir uma debênture de R$ 1.000 com remuneração de IPCA + 7% ao ano e vencimento em 10 anos.
As debêntures podem ser:
São emitidas por empresas de diversos setores, como energia, saneamento, telecomunicações, logística e indústria. Em geral, instituições financeiras utilizam outros instrumentos para captar recursos.
O principal risco é o risco de crédito, ou seja, a possibilidade de a empresa não conseguir honrar os pagamentos.
Além disso, não possuem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), seu preço pode oscilar antes do vencimento, algumas têm baixa liquidez, dificultando a venda antecipada.
As debêntures comuns são tributadas pelo Imposto de Renda, seguindo a tabela regressiva da renda fixa:
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| 181 a 360 dias | 20% |
| 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
O imposto incide sobre os rendimentos, não sobre o valor total investido.
| Debêntures comuns | Debêntures incentivadas |
|---|---|
| Podem financiar qualquer atividade da empresa | Financiamento de projetos de infraestrutura |
| Rendimentos sujeitos a IR | Em geral, isentas de IR para pessoas físicas quando enquadradas na legislação |
| Emitidas por empresas | Também emitidas por empresas |
| Sem garantia do FGC | Também sem garantia do FGC |
Em resumo, toda debênture é um empréstimo que o investidor faz a uma empresa. As debêntures incentivadas são uma categoria específica, destinada ao financiamento de infraestrutura e que oferece benefício tributário para investidores pessoas físicas, enquanto as debêntures comuns não têm esse incentivo fiscal.
São títulos de dívida emitidos por empresas para financiar projetos de infraestrutura. Em troca de emprestar dinheiro à empresa, o investidor recebe juros ao longo do tempo ou no vencimento.
O diferencial é que elas contam com um incentivo fiscal: para pessoas físicas, os rendimentos são isentos de Imposto de Renda (para emissões enquadradas nas regras aplicáveis).
O governo concede esse benefício tributário para estimular o financiamento privado de projetos considerados importantes para o desenvolvimento do país.
Características
Apesar do incentivo fiscal, elas não são livres de risco.
Os principais riscos são:
Além disso, debêntures não contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Imagine que uma empresa de energia vai construir uma nova linha de transmissão.
As debêntures incentivadas costumam atrair investidores que buscam rentabilidade potencialmente maior e eficiência tributária, aceitando um nível de risco superior ao de investimentos bancários garantidos pelo FGC.
Em bom português, é a duração do investimento, o prazo máximo pelo qual o dinheiro ficará aplicado. Quando falamos em Renda Fixa, a duration é também uma medida da sensibilidade do preço de um título às variações da taxa de juros no período até o vencimento. Quanto maior a duration, maior a oscilação do preço, pois mais sujeito o título fica à chamada marcação a mercado.
Então, se os juros mudarem, quanto o preço do seu título tende a variar? Se você carregar o título até o vencimento, ou seja, não resgatar antes do prazo, nem vai sentir as oscilações que acontecem no dia a dia. Mas elas acontecem.
Suponha um título Tesouro IPCA+ (também chamado NTN-B) com duration de 15 anos.
Se a taxa real:
Essa relação inversa entre a taxa de juros e o preço de um título público prefixado ou indexado à inflação (como Tesouro IPCA+) é calculada, por aproximação, da seguinte forma:
Variação percentual do preço = Duration × variação da taxa de juros
No exemplo acima:
Então:
Se os juros caírem 2 pontos:
Se os juros subirem 1 ponto:
Trata-se de uma aproximação, mas funciona bem para entender o mecanismo.
É por isso que investidores que acreditam em uma queda futura dos juros reais costumam comprar títulos Tesouro IPCA+ longos: eles são os que mais se valorizam quando as taxas caem. Em contrapartida, são também as que mais sofrem quando as taxas sobem.
Observe a duration dos Títulos do Tesouro na tabela abaixo:
| Tipo de título | Duration típica |
|---|---|
| Tesouro Selic | Muito baixa |
| Tesouro Prefixado curto | Baixa |
| NTN-B/Tesouro IPCA+ médio prazo | Média |
| NTN-B/Tesouro IPCA+ longo prazo | Alta |
É bom ter claro que:
Dois títulos do Tesouro Nacional têm praticamente o mesmo risco de crédito, mas o título com duration maior pode apresentar oscilações muito maiores ao longo do caminho até o vencimento.
No entanto, se você compra um título IPCA+ e o mantém até o vencimento, as oscilações de preço causadas pela marcação a mercado deixam de ser relevantes para o resultado final.
Por exemplo:
Existem, porém, algumas ressalvas:
Para quem investe com objetivo de longo prazo e tem liquidez suficiente para não precisar resgatar antes, a pergunta principal costuma ser: “A taxa que estou contratando hoje me parece boa para carregar até o vencimento?”
Se a resposta for sim, a volatilidade diária tende a ser muito menos importante.
Uma ETF (sigla para Exchange-Traded Fund, ou Fundo de Índice) é, de forma simples, um fundo de investimento que é negociado na Bolsa de Valores como se fosse uma ação.
Para entender fácil, imagine uma cesta de compras. Em vez de você ir ao mercado e comprar uma maçã, uma banana e uma uva separadamente, você compra uma cesta que já vem com várias frutas selecionadas.
No mundo financeiro, essa “cesta” contém dezenas, centenas ou até milhares de ativos (como ações, títulos de renda fixa ou commodities) e o seu objetivo principal é replicar o desempenho de um índice de referência.
Se você quiser investir nas maiores empresas dos Estados Unidos, você não precisa comprar ações da Apple, Microsoft, Amazon e Google uma por uma. Você pode simplesmente comprar uma cota de um ETF que replica o índice S&P 500 (que reúne as 500 maiores empresas americanas).
Se o índice subir, o valor da sua cota do ETF sobe na mesma proporção. Se cair, ela cai.
Negociação em Bolsa: Você pode comprar e vender cotas de um ETF ao longo do dia, exatamente como faz com uma ação, sabendo o preço dela em tempo real.
Gestão Passiva: A grande maioria dos ETFs busca apenas copiar um índice existente, e não tentar “ganhar do mercado”. Por isso, o gestor do fundo não precisa ficar analisando quais empresas comprar e vender do zero.
Diversificação instantânea: Com apenas uma operação (e pouco dinheiro), você passa a ser dono de uma fração de dezenas de empresas diferentes, reduzindo o risco de quebrar se uma única empresa falhar.
Baixo custo: Como a gestão é passiva, as taxas de administração dos ETFs costumam ser muito mais baratas do que as de fundos de investimento tradicionais (fundos ativos).
Acesso a mercados globais: Pela bolsa brasileira (B3), você consegue investir em ETFs que replicam o mercado americano, europeu, de tecnologia, de ouro ou até do mercado imobiliário global, sem precisar abrir conta no exterior.
Risco de Mercado: O ETF vai acompanhar o índice para o bem e para o mal. Se o mercado de ações desabar, o seu ETF vai desabar junto.
Falta de flexibilidade: Você não pode escolher tirar uma empresa específica da “cesta” se não gostar dela. Você compra o pacote fechado.
BOVA11: É um dos ETFs mais famosos do Brasil. Ele replica o Ibovespa, ou seja, mede o desempenho das ações mais negociadas da nossa bolsa.
IVVB11: Replica o índice S&P 500 em reais, permitindo que você invista nas 500 maiores empresas dos EUA diretamente pela bolsa brasileira.
São fundos que investem em outros fundos, em vez de investir diretamente em ações, imóveis ou títulos. A ideia é simples: você compra um fundo que compra vários outros fundos.
Imagine um gestor com R$ 100 milhões. Em vez de comprar diretamente imóveis ou ações, ele distribui o dinheiro entre:
Você, ao comprar uma única cota do FOF, ganha exposição indireta a todos esses fundos.
No Brasil, os FOFs mais conhecidos estão no mercado de FIIs. Eles compram cotas de diversos fundos imobiliários e tentam montar uma carteira diversificada. Em vez de você escolher 15 FIIs, o gestor faz essa seleção. As vantagens são antagens a diversificação imediata, a gestão profissional da alocação, o acesso a muitos fundos com uma única compra e o rebalanceamento feito pelo gestor.
A principal crítica é a chamada dupla camada de custos. Cada FII cobra sua respectiva taxa de administração. O FOF que investe neles também cobra taxa. Você acaba pagando custos em mais de um nível.
Para quem não quer analisar dezenas de fundos individualmente, um FOF pode simplificar a gestão da carteira. Para quem gosta de selecionar os próprios fundos e busca reduzir custos, pode fazer mais sentido comprar os fundos diretamente.
São fundos que investem em ativos relacionados ao mercado imobiliário. Você compra cotas do fundo e se torna proprietário de uma pequena parcela do patrimônio dele. Os FIIs costumam distribuir rendimentos periódicos aos cotistas.
Fundos de Tijolo
São FIIs que investem em imóveis físicos, como galpões logísticos, shoppings, escritórios e hospitais. Você está comprando participação em imóveis reais e a principal fonte de receita é o aluguel pago pelos inquilinos.
Se o fundo possui 20 galpões, empresas alugam esses galpões e os aluguéis entram no caixa do fundo. Parte desse dinheiro é distribuída aos cotistas.
Principais riscos: vacância (imóveis vazios), renegociação de aluguéis e queda no valor dos imóveis.
Fundos de Papel
São FIIs que investem principalmente em títulos financeiros ligados ao mercado imobiliário, e não em imóveis físicos. O ativo mais comum é o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários),
Nesse caso, o fundo funciona de forma parecida com um investidor de renda fixa. Em vez de ser dono do prédio, você é credor de operações imobiliárias.
Exemplo: uma incorporadora precisa de dinheiro e emite CRIs. O fundo compra esses CRIs, recebe juros e distribui parte desses juros aos cotistas.
Principais riscos: inadimplência dos devedores, deterioração da qualidade de crédito e oscilações das taxas de juros.
Tijolo x Papel
| Fundo de Tijolo | Fundo de Papel |
|---|---|
| Investe em imóveis físicos | Investe em títulos financeiros |
| Ganha com aluguéis | Ganha com juros |
| Risco de vacância | Risco de crédito |
| Mais ligado ao mercado imobiliário físico | Mais ligado ao mercado de crédito |
Os dois pertencem ao universo dos fundos imobiliários, mas os motores de geração de renda são completamente diferentes. Por isso, muitos investidores combinam ambos na carteira para diversificar as fontes de retorno.
São fundos de investimento cujas cotas são negociadas diretamente no ambiente da Bolsa de Valores (como a B3, no Brasil), exatamente da mesma forma que compramos e vendemos ações de empresas.
A grande diferença deles para os fundos tradicionais (aqueles que você contrata pelo aplicativo do seu banco ou corretora) está na liquidez e na forma de negociação: em vez de pedir o resgate ao gestor do fundo e esperar dias pelo dinheiro (o famoso prazo de cotização), você simplesmente vende suas cotas para outro investidor na Bolsa e o dinheiro cai na sua conta em até dois dias úteis.
O mercado de fundos listados cresceu muito nos últimos anos e hoje vai muito além das ações. Os tipos mais comuns que você encontra no home broker da sua corretora são:
1. FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário)
São os mais famosos do mercado brasileiro. O fundo capta dinheiro de milhares de investidores para comprar ou construir imóveis comerciais grandes (como shoppings, prédios de escritórios, galpões logísticos) ou para investir em títulos de dívida imobiliária (como CRIs).
O grande atrativo: eles são obrigados por lei a distribuir a maior parte dos seus lucros mensalmente. Para o investidor, funciona como receber um “aluguel” todo mês, geralmente isento de Imposto de Renda para pessoas físicas.
2. ETFs (Exchange-Traded Funds)
Como vimos antes, os ETFs são fundos listados que replicam o desempenho de um índice de referência (como o Ibovespa ou o S&P 500). Eles trazem diversificação instantânea com taxas de administração muito baixas.
3. Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais)
Funcionam de forma muito parecida com os fundos imobiliários, mas o foco total é no Agronegócio. Eles compram terras agrícolas ou financiam produtores e empresas do setor comprando títulos de crédito do agro (como CRAs). Também costumam pagar dividendos mensais isentos de IR.
4. FI-Infras (Fundos de Investimento em Infraestrutura)
Esses fundos captam recursos para financiar grandes obras e concessões de infraestrutura no país, como rodovias, portos, aeroportos e redes de energia. Eles investem principalmente em debêntures incentivadas. O grande diferencial é que, além dos rendimentos, o ganho de capital na venda das cotas na Bolsa também é isento de Imposto de Renda para a pessoa física.
| Vantagens | Riscos e Desvantagens |
|---|---|
| Transparência de preços: Você sabe exatamente quanto a cota vale a cada segundo do pregão. | Volatilidade (Oscilação): Como os preços mudam a todo momento na Bolsa, o valor do seu patrimônio vai oscilar todo dia na tela da corretora. |
| Liquidez rápida: Se precisar do dinheiro, basta vender a cota a preço de mercado e o recurso fica disponível rapidamente. | Risco de Liquidez Interna: Embora sejam listados, fundos muito pequenos ou desconhecidos podem ter poucos negócios, tornando difícil vender um volume grande de cotas de uma vez pelo preço desejado. |
| Acessibilidade: Com valores baixos (muitas vezes na casa dos R$ 10 ou R$ 100), você tem acesso a investimentos gigantescos. | Taxas de Corretagem/Emolumentos: Embora muitas corretoras hoje tenham taxa zero, operar na Bolsa pode envolver pequenos custos operacionais da própria B3. |
É o principal índice da bolsa de valores brasileira (B3). Ele representa o desempenho médio das ações mais negociadas na B3.
Funciona como um “termômetro” do mercado acionário brasileiro.
Por exemplo:
O índice é composto por dezenas de empresas de diferentes setores, como:
Mas elas não têm o mesmo peso. Empresas maiores e mais negociadas influenciam mais o índice.
Uma boa analogia é a de uma seleção de futebol:
É importante entender que:
Para investir no Ibovespa, normalmente o investidor compra fundos ou ETFs que replicam o índice, como o BOVA11.
Muitas pessoas usam o Ibovespa como referência para responder perguntas como:
Os pontos são uma unidade de medida usada para representar a evolução do índice ao longo do tempo. Não são dinheiro.
O sistema de pontos do Ibovespa funciona como um termômetro gigante que mede o valor de mercado de uma “carteira teórica” composta pelas ações mais importantes e negociadas da bolsa brasileira (B3).
A cada instante do pregão:
A pontuação se movimenta com base na média ponderada do desempenho das ações que compõem o índice. Nem todas as ações têm o mesmo peso. Cada empresa tem um peso baseado no tamanho do seu valor de mercado e no volume de negociações. Empresas gigantescas como Vale e Petrobras têm um peso muito maior na pontuação do que empresas menores.
Se a ação da Vale subir muito e o resto do mercado ficar parado, o Ibovespa sobe de pontos.
Se uma empresa pequena subir 10% e a Petrobras cair 2%, o índice provavelmente vai fechar o dia no vermelho, porque o peso da Petrobras esmaga o da empresa menor.
Para o investidor, normalmente a informação mais relevante não é o número de pontos, mas a variação percentual.
Por exemplo:
Embora ambos os movimentos sejam de 10.000 pontos, o impacto percentual é diferente.
O sistema de pontuação é o padrão global para medir o desempenho de mercados acionários e existe também nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Os pontos permitem comparar o mercado em diferentes momentos. Tome o caso da economia brasileira, por exemplo. Historicamente, o Brasil passou por períodos de inflação extrema nas décadas de 1980 e 1990. Se o índice fosse medido puramente em dinheiro, os valores ficariam bizarros e distorcidos muito rápido.
Ao longo da história, a B3 já precisou fazer vários “cortes de zeros” nos pontos do Ibovespa para a conta não ficar gigantesca (o último corte foi em 1997, dividindo os pontos por 10). Usar pontos permite manter um histórico visual e estatístico muito mais claro da evolução do mercado.
É a atualização diária do valor de um investimento com base no preço pelo qual ele poderia ser negociado naquele momento.
Isso significa que, mesmo sem vender o ativo, seu valor pode subir ou cair todos os dias conforme as condições do mercado mudam.
Exemplo:
Essas oscilações aparecem no extrato devido à marcação a mercado.
Nos títulos de renda fixa, como o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+, a marcação a mercado afeta quem pretende vender antes do vencimento. Se você mantiver o título até a data final, receberá a rentabilidade contratada, independentemente das oscilações intermediárias.
Em resumo:
É a sigla de Nota do Tesouro Nacional Série B, um título público federal indexado à inflação. Atualmente, ele é comercializado pelo Tesouro Direto sob o nome de Tesouro IPCA+.
Sua rentabilidade é composta por duas partes:
Exemplo:
Existem duas versões:
Características principais:
Quando os juros reais da economia sobem, o preço das NTN-Bs tende a cair. Quando os juros reais caem, o preço tende a subir. Por isso, títulos de vencimento longo podem apresentar grandes oscilações no curto prazo, mesmo sendo considerados de baixo risco de crédito.
E por que isso acontece?
Imagine uma NTN-B que paga IPCA + 5% ao ano. Se, algum tempo depois, novas NTN-Bs passam a ser emitidas pagando IPCA + 7%, o seu título ficou menos atraente. Ninguém pagaria o mesmo preço por um título que rende menos. Para compensar essa diferença, o preço dele cai.
Exemplo:
O inverso também acontece:
Além disso, quanto mais longo o prazo do título, maior é a sensibilidade do preço às mudanças nos juros. Por isso, uma NTN-B com vencimento em 2045 ou 2055 pode oscilar bastante com mudanças relativamente pequenas na taxa real de juros, enquanto uma NTN-B que vence em 2 ou 3 anos oscila muito menos. Essa sensibilidade é conhecida no mercado como duration.
Essa oscilação, porém, só afeta os investidores que resgatarem o título antes do vencimento, pois estão sujeitos à marcação a mercado.
É uma categoria de investimentos em que as regras de remuneração são definidas no momento da aplicação. Isso não significa que o ganho final seja sempre conhecido, mas sim que existe uma fórmula previamente estabelecida para calcular o retorno.
Por exemplo:
Quando você compra um título que paga IPCA + 7%, não sabe qual será a inflação dos próximos anos, então não conhece o retorno exato em reais. Mas sabe que receberá inflação + 7% ao ano.
Você sabe desde o início como o rendimento será calculado. Daí o nome Renda Fixa. A regra está fixa, mesmo que o resultado final não esteja.
Na renda variável, não existe uma fórmula contratada para o retorno. Se você compra ações da Petrobras ou da Vale, ninguém promete quanto elas irão valer daqui a um ano. O retorno depende do comportamento do mercado.
O preço pode:
Um detalhe importante: muitas pessoas acham que renda fixa significa “não perde valor”. Isso não é verdade. Um título de renda fixa pode:
Por isso, ouve-se com frequência no mercado financeiro que “Renda Fixa não é fixa”. O que define a Renda Fixa não é a ausência de oscilações ou risco, mas sim o fato de a remuneração seguir uma regra previamente conhecida.
É a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela influencia praticamente todas as outras taxas do país:
Quando você ouve no noticiário que “os juros subiram” ou “o Banco Central aumentou os juros”, estão falando da Selic.
Quem define a Selic é o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central do Brasil. O Copom se reúne periodicamente para decidir se a taxa deve:
A principal função da Selic é ajudar a controlar a inflação.
Em geral:
Quando a Selic sobe:
Quando a Selic cai:
É um título público que acompanha de perto a taxa Selic. Se a Selic sobe, o rendimento do título tende a subir também. Por isso ele é frequentemente utilizado para:
Quando esse preço diminui, ocorre o contrário.
Quando se diz que o mercado precifica algo, significa que os investidores já estão incorporando determinada expectativa nos preços dos ativos.
Quando se diz que algo já foi precificado, significa que essa informação ou expectativa já está refletida nos preços atuais, de modo que sua simples confirmação tende a ter pouco impacto adicional.
Exemplo:
Se o Banco Central efetivamente corta os juros exatamente como esperado, alguém pode dizer: “O corte já estava precificado.” Ou seja, a notícia não é nova para o mercado.
Por outro lado, se o Banco Central corta mais juros do que o esperado, essa surpresa ainda não estava precificada e os preços podem se mover significativamente.
Em resumo:
No mercado financeiro, spread é a diferença entre dois preços, taxas ou retornos relacionados a um ativo ou operação financeira.
Os usos mais comuns são:
Em resumo, spread representa uma diferença ou margem entre preços, taxas ou retornos, sendo frequentemente usado para medir custos, risco ou liquidez.
“Abertura de spread” significa que a diferença entre dois preços, taxas ou rendimentos aumentou.
No mercado financeiro, o termo aparece em diferentes contextos:
Exemplo:
Se a debênture passa a render 14% ao ano enquanto o título público continua em 10%:
Em geral, abertura de spread é interpretada como sinal de maior risco percebido, menor liquidez ou piora das condições de mercado. Já o movimento oposto é chamado de fechamento de spread.
A expressão “nível comprimido de spread” significa que o spread está baixo em relação ao histórico ou abaixo do que muitos participantes consideram adequado para o risco assumido.
Exemplo:
Se, historicamente, títulos semelhantes costumam pagar 2 pontos percentuais acima do título público, esse spread de 0,8 pode ser considerado comprimido.
Quando analistas dizem que os spreads estão comprimidos, geralmente querem dizer que:
Em relatórios de crédito e renda fixa, frases como “os spreads seguem em níveis comprimidos” costumam indicar que os retornos extras oferecidos pelos títulos estão relativamente baixos frente ao risco percebido.
Títulos prefixados e pós-fixados diferem pela forma como a rentabilidade é definida no momento da aplicação.
Nos títulos prefixados, a taxa de juros é conhecida desde a compra. Você sabe exatamente quanto o investimento renderá se mantiver o título até o vencimento.
Exemplo:
Vantagens:
Desvantagens:
Nos títulos pós-fixados, a rentabilidade depende de um índice que varia ao longo do tempo. Você sabe qual será a regra de remuneração, mas o rendimento final só é conhecido no vencimento.
Os indexadores mais comuns são:
Exemplos:
Se o CDI ou a Selic aumentarem, o rendimento tende a aumentar. Se caírem, o rendimento também tende a diminuir.
Existe uma terceira categoria muito comum: títulos que combinam uma taxa fixa com um índice de inflação.
Exemplo:
Nesse caso, a parte IPCA é pós-fixada, pois depende da inflação, e a parte 6% é prefixada.
Por isso, esses títulos são chamados de híbridos.
Em resumo:
Títulos públicos e títulos privados são instrumentos de renda fixa usados para captar recursos. A principal diferença é quem emite o título e quem assume o compromisso de pagamento.
Os títulos públicos são emitidos pelo governo para financiar suas atividades, como investimentos, pagamento de despesas e refinanciamento da dívida pública. No Brasil, pessoas físicas costumam comprá-los por meio do programa Tesouro Direto.
Exemplos:
Características:
Os títulos privados são emitidos por empresas ou instituições financeiras para captar recursos.
Exemplos:
Características:
| Aspecto | Títulos públicos | Títulos privados |
|---|---|---|
| Emissor | Governo Federal | Bancos e empresas |
| Finalidade | Financiar o governo | Financiar atividades privadas |
| Risco | Geralmente menor | Varia conforme o emissor |
| Rentabilidade | Prefixada, Selic ou IPCA | Prefixada, CDI ou IPCA |
| Garantias | Capacidade de pagamento do governo | Algumas modalidades têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (como CDB, LCI e LCA, dentro dos limites vigentes); outras, como debêntures, não |
Imagine que você empresta R$ 10.000:
Em ambos os casos, o emissor se compromete a devolver o valor emprestado acrescido dos juros acordados, desde que cumpra suas obrigações. A diferença principal está em quem recebe o empréstimo e no nível de risco associado ao emissor.