A Inteligência Artificial já é usada para ler resultados de exames, simular entrevista de emprego, estudar para provas, escrever e-mails, fazer terapia…Agora tem gente recorrendo à IA também para fazer investimentos.
A pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro 2026, da Anbima, confirmou a tendência e até já deu uma ideia da taxa de adoção da IA entre os investidores: 9% dos entrevistados na pesquisa disseram que usam os chats para buscas de informações financeiras, superando canais como Facebook, e-mail, Tik Tok, rádio e outras redes sociais.
Embora ainda minoritário no geral, o uso dos chats de inteligência artificial é maior entre homens jovens e com maior renda. Entre os investidores, 11% dos homens recorrem à tecnologia, contra 7% das mulheres. Na Geração Z (16 a 29 anos), a adesão chega a 17%, bem acima das demais faixas etárias (veja no quadro abaixo).
O levantamento indica também que esses usuários tendem a ter carteiras mais diversificadas. Cerca de 77% se enquadram nesse perfil, enquanto apenas 23% concentram recursos exclusivamente na Caderneta de Poupança.
A presença em ativos variados, como títulos privados, fundos e até criptomoedas, aparece com mais frequência entre aqueles que perguntam à IA antes de aplicar. Há ainda uma correlação com a intenção de investir: 88% dos usuários da tecnologia afirmam que pretendem aplicar recursos em 2026.
IA para investimentos é bom ou ruim?
O uso da inteligência artificial amplia o acesso à informação e reduz barreiras técnicas, já que as ferramentas conseguem consolidar dados, comparar produtos e apresentar cenários em poucos segundos. Esse ganho de eficiência ajuda o investidor a explorar alternativas e entender melhor riscos e retornos, o que favorece decisões mais informadas e, em muitos casos, maior diversificação.
Por outro lado, o avanço traz pontos de atenção. Sistemas de IA podem apresentar informações imprecisas, desatualizadas ou simplificadas em excesso. Há também o risco de viés nas respostas e de uma confiança exagerada por parte do usuário.
A facilidade de acesso pode induzir decisões rápidas, sem a devida verificação ou análise crítica, além de estimular comportamentos padronizados entre investidores expostos às mesmas recomendações, como o nefasto efeito manada.
Nesse contexto, a tecnologia não substitui integralmente o papel de assessores de investimentos. Profissionais ainda são relevantes para interpretar o contexto individual, considerar objetivos de longo prazo, aspectos tributários e ajustar estratégias ao perfil de risco.
A tendência observada é de complementaridade: a IA atua como ferramenta de apoio, enquanto a decisão final permanece ancorada em avaliação humana.
Pergunte à IA, mas cheque a resposta
O uso mais adequado da inteligência artificial passa por bom senso. A recomendação é utilizá-la como ponto de partida — para entender conceitos, comparar opções e levantar hipóteses — e não como fonte única de decisão.
A inteligência artificial alucina, inventa ou distorce dados. Informações críticas, como taxas, rentabilidade e características de produtos, devem ser confirmadas em documentos oficiais ou fontes primárias. Também é indicado confrontar diferentes interpretações e evitar basear escolhas exclusivamente em conteúdos de redes sociais.
O avanço da tecnologia, portanto, redefine o comportamento do investidor, ampliando possibilidades, mas exigindo maior senso crítico. A combinação entre agilidade digital e validação cuidadosa tende a ser o fator determinante para transformar informação em decisões consistentes.
O uso de ferramentas de IA no contexto dos investimentos foi medido pela primeira vez pela série Raio X do Investidor Brasileiro. O estudo é feito anualmente pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha. Para esta 9a edição, foram realizadas 5.832 entrevistas, com pessoas a partir dos 16 anos, das classes A,B,C, D e E, nas cinco regiões do Brasil.
| A IA substituirá o assessor ou o gerente? A tendência não é de substituição, mas de ressignificação do papel humano. A IA é boa no “o quê” e no “como” técnico, mas falha no “porquê” emocional. Um assessor de investimentos entende o contexto de vida do cliente (planos de sucessão, medo de risco, nuances familiares), algo que uma máquina ainda não capta com empatia. O assessor muitas vezes até atua como um psicólogo financeiro em momentos de crise. O investidor usará a IA para chegar à reunião mais bem informado, exigindo do profissional uma consultoria muito mais sofisticada e menos burocrática. |
| Os riscos e as limitações Apesar da eficiência, o uso da IA não é isento de perigos, especialmente para o investidor iniciante: Alucinações e erros factuais: LLMs (modelos de linguagem) podem inventar dados ou confundir datas de vencimento e taxas de rentabilidade. Dados defasados: muitas IAs não têm acesso a dados do mercado em tempo real (como o fechamento do pregão de hoje), baseando-se em informações históricas que podem não refletir o cenário macroeconômico atual. Falta de responsabilidade jurídica: se um algoritmo sugere um investimento que resulta em perda total, não há a quem recorrer legalmente da mesma forma que se recorreria contra uma instituição financeira regulada. |
| Como usar a IA para te ajudar a investir Use para desafiar sua tese: muitos investidores sofrem de viés de confirmação (só leem o que confirma que sua ação é boa). Use a IA como “advogado do diabo” e peça para apresentar argumentos lógicos contra um investimento que te interessa. Isso força você a enxergar os pontos cegos que a sua empolgação (ou a de um influenciador) ignorou. Use para sintetizar, não para decidir: acione a IA para encontrar o que você não está vendo, em vez de usá-la apenas para mastigar o que você já sabe. A máquina vai te abrir os olhos para os riscos, mas a decisão de ignorá-los ou aceitá-los continua sendo estritamente sua. Nunca pergunte à IA se é para vender ou comprar qualquer ativo. Verificação de fontes: prefira chats que exibem a fonte da informação utilizada. Use a IA para checar informações, explicar conceitos (“O que é IPCA + 6%?”). Para valores específicos de mercado, cruze os dados com sites oficiais da B3 ou do Tesouro Direto. Simulação de cenários: utilize a ferramenta para cálculos de juros compostos ou para entender o impacto da inflação no poder de compra em 10, 20 anos. Curadoria de conteúdo: como o investidor hoje consome muito conteúdo pelo YouTube e Instagram, a IA pode ser usada para filtrar quais influenciadores ou portais são mais técnicos e menos sensacionalistas ou enviesados. |
Uso de IA entre investidores brasileiros
Do total de investidores, 9% (médida aproximada) utiliza IA
(Raio X do Investidor Brasileiro, Anbima, 9a edição)
Uso de IA por gênero
| Gênero | Percentual que usa IA |
| Homens | 11% |
| Mulheres | 7% |
Uso de IA por geração
| Geração | Percentual que usa IA |
| Geração Z | 17% |
| Millennials | 11% |
| Geração X | 4% |
| Baby Boomers | 2% |
Uso de IA por classe social
| Classe social | Percentual que usa IA |
| Classe AB | 13% |
| Classe C | 7% |
| Classe DE | 4% |
Uso de IA por perfil de investimento
| Perfil | Percentual que usa IA |
| Diversificado | 14% |
| Caderneta (poupança) | 4% |