Risco fiscal orienta estratégia mais curta na Renda Fixa

Resumo

  • Mesmo com expectativa de cortes da Selic, juro real segue alto e limita ganhos em prazos longos
  • No curtíssimo prazo, títulos podem ter retorno abaixo do CDI
  • Quem segura o papel até o vencimento é recompensado

A XP recomenda que investidores observem com atenção o comportamento da curva de juros e as oportunidades ainda presentes na renda fixa para montar as carteiras de 2026. Os especialistas da casa destacam que a flexibilização da política monetária, já precificada pelo mercado, pode favorecer títulos prefixados e IPCA+ — sobretudo com vencimentos entre cinco e seis anos.

A curva de juros futura apresentou declínio gradual dos prêmios de risco ao longo de 2025, refletindo a expectativa de cortes na taxa Selic. No entanto, a percepção de risco fiscal continua elevada, decorrente de uma trajetória de dívida pública ainda ascendente, projetada para acima de 80% do PIB. “O mercado continua precificando bastante risco fiscal”, observa Mayara Rodrigues, Analista de Renda Fixa da XP. “Dificilmente veremos um alívio relevante nos juros reais enquanto o risco fiscal seguir alto. Neste momento, não recomendamos alongar demais os vencimentos.”

Enquanto as taxas nominais cederam com maior intensidade nos últimos meses, o juro real (descontada a inflação) apresentou apenas breve alívio e retornou rapidamente à faixa de IPCA + 7,5%, a depender do vencimento. Segundo a analista, essa dinâmica reflete o risco soberano e reduz o potencial de ganho adicional em prazos muito longos. Por isso, a orientação atual é priorizar o “miolo da curva”.

Mesmo com quedas de inflação no horizonte, os estrategistas ressaltam que títulos prefixados e IPCA+ tendem a ter melhor desempenho que o CDI quando o Banco Central está no início de um ciclo de cortes. Um estudo interno analisou períodos anteriores com redução da Selic. “No curtíssimo prazo, podem ter retorno abaixo do CDI. Mas quem segura o papel até o vencimento tende a sair vencedor”, afirma Mayara.

Ainda assim, o pós-fixado (atrelado ao CDI) segue como peça importante em perfis mais conservadores. A XP indica maior peso em prefixados e indexados à inflação à medida que o investidor migra para perfis moderados e sofisticados.

Crédito privado: spreads mais equilibrados

O mercado de crédito corporativo segue com empresas sólidas e acesso contínuo ao mercado de capitais. O volume de emissões em 2024 foi recorde, próximo de R$ 600 bilhões, e o ritmo se mantém firme em 2025.

Os spreads em CDI estão em patamar considerado saudável, na média próxima de CDI + 1,8%, alinhado ao histórico. Já os spreads de IPCA+ se aproximam das mínimas históricas, puxados pelo aumento da demanda — especialmente de fundos de infraestrutura e de investidores pessoas físicas. “A recomendação é seletividade. O cenário macro ainda é adverso e a escolha das melhores empresas por setor faz muita diferença”, aconselha Mayara.

A isenção de imposto de renda em debêntures incentivadas segue como importante motor de demanda e garante remunerações líquidas acima de 15%, em média.

Avaliação para 2026

Mesmo com o destaque da renda variável em 2025, a renda fixa seguirá cumprindo papel de estabilização das carteiras, com retorno ainda competitivo em 2026. A expectativa de maior volatilidade no ambiente eleitoral reforça a necessidade de balanço entre duration, crédito e indexadores.

Resumindo: ainda há oportunidade na renda fixa, já que as taxas nominais seguem elevadas e o ativo continua reduzindo volatilidade e trazendo boa rentabilidade aos portfólios.

Envie este conteúdo para um amigo clicando abaixo

Nosso time

Emerson Wan, CFP®

Agostin Cristiano, Assessor de Investimentos

Roger Kenji, Assessor de Investimentos

Redes Sociais

Onde estamos

A Oriente Agentes Autônomos de Investimentos Ltda., inscrita sob o CNPJ 17.234.297/0001-52, é uma empresa de Assessoria de Investimento devidamente registrada na Comissão de Valores Mobiliários na forma da Resolução CVM 178/23 (“Sociedade”), que mantém contrato de distribuição de produtos financeiros com a XP Investimentos Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários S.A. (“XP”) e pode, por conta e ordem dos seus clientes, operar no mercado de capitais segundo a legislação vigente. Na forma da legislação da CVM, o Assessor de Investimento não pode administrar ou gerir o patrimônio de investidores. O investimento em ações é um investimento de risco e rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Na realização de operações com derivativos existe a possibilidade de perdas superiores aos valores investidos, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. A Sociedade poderá exercer atividades complementares relacionadas aos mercados financeiro, securitário, de previdência e capitalização, desde que não conflitem com a atividade de assessoria de investimentos, podendo ser realizada por meio da pessoa jurídica acima descrita ou por meio de pessoa jurídica terceira. Todas as atividades são prestadas mantendo a devida segregação e em cumprimento ao quanto previsto nas regras da CVM ou de outros órgãos reguladores e autorreguladores. Para informações e dúvidas sobre produtos, contate seu assessor de investimentos. Para reclamações, contate a Ouvidoria da XP pelo telefone 0800 722 3730.

© 2026 Oriente Investimentos. Todos os direitos reservados.